segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Apologia do fracasso - José Castello + Duras

[não havendo - por ora - Força para se autov.ar com os horríveis Envelopes, T. vai lendo como sempre o fez: 
 «tocando em tudo o que, de sugestivo, pela  frente  lhe surja»]

[e vem a Noite pela janela - os 3 «menos bons meses do ano» estão aí]

- neste caso, o texto de José Castello de 24 de Outubro, no seu blogue - «Literatura na Poltrona» - em que usa Duras como Argumento 

MAPA DO DIA

[ - a chegada do livro de J. L. T. - após um mês de «código postal errado» - foi a única coisa interessante do Dia;

 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Castro Mendes; II


Camões na Índia


Esteve nesta terra. Enojavam-no as mulheres,
pois só as de baixa casta aceitavam
vender-se aos brancos. Escrevia aos amigos
sobre as saudades que tinha dos bordéis de Lisboa.
E fazia poemas para o Vice Rei.

A grandeza não cabe em nenhuma época,
em nenhuma terra,
até mesmo em nenhum ser humano de carne e osso.

Mas só ela dura!

Luís Filipe Castro Mendes, Lendas da Índia, D. Quixote, 2011 p. 61

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Castro Mendes

Blogue do Escritor:         Timtim no Tibet

[poema aí assinado por Alcipe, de 2 de Outubro]

Conceito de História
E às vezes a noite dura todo o dia
e às vezes o leite fica à porta:
não importa que cresça a manhã fria,
não importa que a casa esteja morta.

Demorou já demais nossa estadia
e nós com os sapatos por atar.
Enrolados nos panos, no que havia,
temos o corpo pronto para andar.

Não importa que cresça a morte fria
nem que o leite coalhe junto à porta.
Alguém dará sentido a este dia,
seu brilho irá durar numa mão morta.

A história de uma vida pouco é mais
do que a História que lemos nos jornais.
 
 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

«Os Lusíadas» (Dona Cleo, a menina que os leu numa tarde)

[Recorte de Agosto, 28]

Era "uma tarde de Inverno, chuvosa, fria". A jovem Cleonice Berardinelli recostou-se na poltrona e ajeitou a almofada. "Li Os Lusíadas numa tarde de êxtase. Quando chegou no Canto VI, na tempestade, me senti embalada nas ondas, mas era a chuva lá fora." Em São Paulo, em 1938.

Os Lusíadas numa tarde? "Incrível, não é? Li depressa. Estava lendo como quem devora uma história. Claro que comecei a voltar atrás, a parar." Nem sabe quantas vezes releu, ao longo do século XX. "Foi amor à primeira vista e definitivo." Depois desdobrado, dos cancioneiros a Saramago, fez dela a maior lusitanista do Brasil.

E esta terça-feira, dia em que completa 96 anos, [...]
Alexandra Lucas Coelho, Público, 28 - 08 - 2012, p.26

Entrevista-Reportagem completa: AQUI

[T. lembra-se de uma Cena assim, talvez antes de 2000, no Velho Paraíso. Numa segunda de manhã, pela escada, uma Qd.a, claro, disse-lhe que ocupara a tarde «morrinhenta» de domingo a ler a Obra Prima de «fio a pavio». Resistira, mas não vinha «em muito bom Estado», de facto. Embora não «derrubada», longe do «êxtase» da Menina Cleo]
[Em 93-94, no D. P. V., um pai, esforçado profissional da C. C., queixara-se, ao DT, de que «o p. de P., veja lá, agora até quer que o meu R. leia um livro enorme e incompreensível!». Esforçado era, o Menino, de facto.]

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Saramago: «Terra riquíssima em pobres»

«Era quase noite quando a Rua do Século ficou limpa de pobres»

A expressão é de O ano da morte de Ricardo Reis - lida no OBJETO COMPÓSITO do Canal Q - número especial do «Clube da Palavra» que se pode  ver no YT:


Com Pilar del Río, Noiserv, Miguel Gonçalves Mendes e locução de Luís Gouveia Monteiro.

E desenho digital de António Jorge Gonçalves e Diana Mascarenhas.

38º episódio da terceira temporada do Clube da Palavra (Canal Q).

sábado, 13 de outubro de 2012

MAPA DA MANHÃ + A menina que queria estudar

08:40
Mercado de Arroios.
Dona R., a «hortaliceira», boa senhora, até;  do tão amado Povo Gasparino:
«[...] pois, os P. só trabalham 6 meses...»
[T.: «Fuzilá-los, Já!»]

09:40
Pingo Doce da Av. de Paris [pois o da C. M. ainda não abrira]
Semi-andrajoso, de nacionalidade indefinida, com todos os seus «não-haveres» numa mesma mala, há anos que tenta vender Lenços de Papel, à porta. Como variante, foi atrás de T. até ao carro. Depois de verificar que havia moeda de 50 cêntimos, atirou uma embalagem para dentro do porta-bagagens e lá regressou ,  empurrando o das compras.
[Impávido, o Sol continuou a brilhar.] (J. G. F....)
 
Ao balcão do talho, para a Plateia, de 3.ª I. Outro, «Castiço»:
«O P. da C. é que Endireitava Isto!»
[mau. mau Maria]
 
11:15:
Avenida G. R. Talho. Leitura, de pé, enquanto o sr. Carlos «descasca» as COD.s
 
Paquistanesa,  «a menina que queria estudar para ser médica», luta contra a morte - obrigatório direito Taliban para quem ouse...
[que Mundo este]
 
11:45
Lidl.
F. S., ainda Jovem (muito dedicado) M. do Palácio 1213, Verdadeiro Criador, vem a sair, «carregado». Sempre SIMP, vai a correr ao carro buscar um convite-programa dos «Ateliês de Lisboa», convidando o Bisonho, Caseiro T.....
 
Well
 
Chega. T. não alcança Cesário, claro.
 
 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Ao colo da Bandeira

Fotografia © Nuno Pinto Fernandes / Global Imagens - reproduzida do Diário de Notícias de hoje - DAQUI

«Por que não veio a  Malta, pá»? (parece pensar)

No  último 5 de Outubro, que não houve, afinal -
M.,«atual AA» [de ADV, pois, pois] fugazmente aparecera no Ecrã; despercebida não passou ao Fotógrafo que  a «petrificou»;
a Bandeira faz  como que um Solidário Reduto, Cansado, com a Fotografada 
- posição inédita que talvez Alguém transforme em I. Temporário
- um «anti-Delacroix»?
- quem sabe?

[«Está inteira e boa, a Bandeira»
- «Está inteira e boa, a cigarreira / Ele é que já não serve»
- «O menino da sua mãe», Fernando Pessoa]

[quanto ao Futuro, se não for Já, é Sempre Hoje]


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Duas horas: ... - Tolentino de Mendonça

«É sempre uma sede de liberdade que nos acorda para o gratuito. E não uma liberdade disto e daquilo. Eu diria: é antes, uma pura liberdade de ser, de sentir-se vivo; uma expansão da alma, náo condicionada pela avareza das convenções; uma urgência não de dons mas de dom. Hoje, por exemplo, uma amiga procurou-me para que eu lhe indicasse um voluntariado. Ela nem tem muito tempo, dedicada a um emprego absorvente e complexo, com os filhos numa idade em que dependem muito dela. «Talvez só possa dar duas horas de quinze em quinze dias» - disse-me. E eu retorqui-lhe, sorrindo:
«Duas horas podem ser uma imensidão.»
 
José Tolentino Mendonça. Nenhum caminho será longo - para uma Teologia da Amizade [livro lançado a 8 de Outubro]

domingo, 7 de outubro de 2012

«Esta manhã» - M. do R. Pedreira

Esta manhã o sol atravessou de repente
para o outro lado da rua - são tão sombrias

as casas quando delas se perde o nome de
alguém, tão escuros os corações dos que
ficam lá dentro para habitar a dor.

Maria do Rosário Pedreira, Nenhum nome depois [1.ª ed:2004]; transcrito da p. 209 de Poesia reunida, 2012

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Mudam-se os Tempos... - Carlos Nogueira

Imagem obtida no endereço eletrónico do Público

O Motivo - e o soneto - (Maneirista)  de Camões já deve ter dado «várias vezes a volta ao Mundo das Revisitações», pelas várias Artes
- aqui, a do artista plástico Carlos Nogueira, agora na «Antológica» (40 anos de carreira), no CAM - até Janeiro
 
Da entrevista [«Faço sempre uma única obra» - AQUI] que concedeu ao «Ípsilon», de 21 de Setembro, T. Recorta um curto excerto:
 
 
[...] Lia e continua a ler muita poesia, e  grande parte da sua biblioteca está dedicada a esta área. A biblioteca, a casa: quem conhece a casa de Oeiras percebe que é uma continuação lógica do seu trabalho.
E a biblioteca tem um lugar especial dentro dessa casa, tanto que o artista passa muito tempo a ordená-la, a visitá-la, a usá-la. “Uma coisa que sempre tive desde miúdo é alguma propriedade de linguagem. Sou minimamente dono da palavra. E, como dono, gosto de a usar. Não me permito dizer que sou poeta ou escritor, mas gosto da palavra, de jogar com ela, de introduzir até o erro no sistema. Até pelos títulos das minhas obras, onde há conjugações que parecem em falta, mas não estão.”
 
[sublinhados acescentados] 
 
 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

«Os Lusíadas» - Prisca Maria

«Despachada», esta Qd.a orgulha-se do Apelido que «carrega».

Pediu a edição completa para o localizar:

Se os antigos delitos que a malícia
Humana cometeu na prisca idade

Os Lusíadas, VIII, 65, 1-2

Mais tarde, sumariou a história da Avó «Prisca Maria» (Alentejo) e de como a «alcunha» se transformou no Apelido diferenciador das gerações seguintes [...]
[A «despachada» do lado, M. G., «a francesa», a seguir, contou a história do «duplo L» - de que T. só ouviu fragmentos ...]

domingo, 23 de setembro de 2012

MAPA DO DIA + Castelos

11:00

Já deu a volta ao Bairro. Há sempre Figuras a observar. Vantagem de conhecer quem (já) não o conhece.

Já cumpriu a principal tarefa: ligar a «125» do Princeso. Próximo regresso: seis semanas.

Já olhou para o tampo da Estante da Avó Formiga. Deveres esperam. Nenhuma Plateia já o pode «desarrumar». São também remakes, claro.

Vai ser rápido. Tudo.

[ao lado, Vila Nova da Barquinha e Almourol, no «Câmara Clara», de 22 de Julho. Não apaguem os Arquivos. Quanto à Memória, é outra a História.]

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

1955 - Amadeu Baptista

[T. é da «colheita» de  55 - Hum, a Memória daquela garrafa de CR&F Reserva, de austero rótulo
- deambulando, enquanto os Infantes tinham o comportamento habitual, isto é, .... [querias...] foi lendo «um poema para cada ano», proposta deste recente livro de Amadeu Baptista]

Mil Novecentos e Cinquenta e Cinco

Estão a chover ursos de peluche
no meu cobertor,
lá fora é quase dia,
o pai ligou a máquina de barbear
e a mãe cicia
como só as mães ciciam,
com quadradinhos de açucar
e luzes a acender e a apagar
dentro da boca.
 
Já aqui veio três vezes
aconchegar-me a roupa,
dizer coisas parecidas com o vento a deslizar 
entre as folhas das árvores,
um coelhinho branco a correr entre este canto
e aquele,
um perfume parecido com o meu
quando me chama gatinho da mamã.

Tive um sono repousado.

Os maus não apareceram.
 
Amadeu Baptista, Açougue. Lisboa, &etc, 2012, p. 11


 

DIA UM - 1953

[Dia Um de uma tarefa difícil: esquecer os Retratos, as Heteropsicografias da semana passada; o que foi confessado, sem pretender resposta ou reação]

[perguntas, poucas; Sermão, só num dos Quadrados]

Deambulando, com «um olho no burro e outro no cigano», T., nascido em 1955, ia lendo Açougue, de Amadeu Baptista, de que se transcreve o primeiro:
 Mil Novecentos e Cinquenta e Três
Logo no primeiro ano
estou só
e não me consigo manter de pé.
Se suspeitasse sequer
que iria ser assim para toda a vida
não me riria
com estas gargalhadas
crstalinas
Amadeu Baptista, Açougue. Lisboa, &etc, 2012, p. 9

quarta-feira, 6 de junho de 2012

1112 - FIM

3.º Bloco: deixar o Paraíso, realizar E., algo que «vem de fora».
Ocupar a Ilha, pela última vez.

1112 passará a 1213, em setembro.

Até lá fecha o «Alpa», reabre o «Peri» - Palácio de Verão, pouco fresco.
Fresca é aqui a «Cave do 5.º»
Well

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Joana Bértholo - HAVIA

[Em Abril de 2010 - «Paraíso nos Contentores» - G. falhou uma das apresentações de Diálogos para o fim do mundo - de J. B., que passara a deixar Convite]
[por isso, há uns 12 anos que não (re)vê uma das mais brilhantes M. do Velho Paraíso] 

[foi no  JL de 30 de Maio, p. 17, que se deparou com o artigo «Conto, microconto e nanoconto», de Miguel Real [...]
(reescrita e acescento de outro de 2005 - 2006, quase com o mesmo título): [...]          [vá lá ler]

- Assim:
 - Vídeo duma FUTURA  apresentação, por José Mário Silva, no Endereço da própria J. B. - onde outros elementos do percurso de J. B. estão disponíveis

domingo, 27 de maio de 2012

Saudades do futuro

A seis semanas do regresso, M.G. declara já ter saudades da

«Liberdade do seu Eu do outro lado do Oceano»

[aquele que para o seu Eu ainda é o «deste lado»]

[deve estar a referir-se só a um Oceano]

terça-feira, 15 de maio de 2012

Almada - «COMEÇAR»

Muito brinca G. (com os «1112») com «Começar», de Almada

«Começar, num espaço de tempo onde a Lógica, o Número é,  segundo o Mestre do Futurismo, unânime»

Recorte do documentário «Almada e Tudo», de 1999, de Manuel Varella

[abençoada Santa, que deixa voltar a ouver tais coisas]



segunda-feira, 14 de maio de 2012

«A bicicleta...

... que tinha bigodes»

[... mais as estigas nas bermas da nossa língua, toda desportuguesa]

Recortes na Casa do próprio Ondjaki

Analisado pelo próprio, num vídeo da série «Ler mais ler melhor»:




terça-feira, 1 de maio de 2012

1.ºde Maio - «Apaga-Apaga»

1 de Maio - excelente dia para:

- apagar - já está - uma 1.ª fase;

- atar e distribuir (atas, sem «c») - parcial;  resto adiado para mais logo;

- continuar Preso na Liberdade do Scriptorium;

- descer e subir - «as escadas não têm degraus» - o L. B. está aberto

Well

sábado, 28 de abril de 2012

Para onde is?

Já em algum dos recortes «apaga-apaga» G. se referiu ao 1.º espe(c)táculo da Comuna- que o «marcou« para sempre - numa Garagem, na Praça José Fontana, em frente do (liceu) Camões, em finais de 72: Auto da Alma, de Gil Vicente,  recriado, e protagonizado por uma inesquecível, então muito jovem, Manuela de Freitas.

Não se lembrava era de pormenores como o dos «bilhetes a 20 escudos», o dos «150 lugares esgotados durante quase meio ano» - obtidos no endereço E. da Companhia. - uma das Maravilhas da Santa Net: «reacender as partes apagadas da Memória»

Dura há quarenta anos, a fazer no 1.º de Maio. Não é «caso senão para brincadeiras, sérias», naturalmente.

Ouver histórias várias, da viva voz do fundador, João Mota, no Curto Tempo do vídeo alojado no endereço do DN:            AQUI

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Mapa do dia

Cerca das 12.45. Ilha. V., uma das pequeninas lutadoras do Bloco B, para G: «O feriado amoleceu-me»

Cerca das 18:00.
Na placa Central, dominam os bebés de várias das jovens A. do Palácio 1112. Vieram à Inauguração.

I. A., Mestre de Ouriv., senta o Fruto mais recente ao colo da mana, de  seis anos. E vá de «abastecer» o «avantajado Infante». E, para a Menina, quase «soterrada» sob tal Volume:
«Estás a segurar bem o Mano, não estás?.»
Espreitando, acena que sim, a pequenina Morena.

Começa cedo a «segurar o Universo na sua Órbita» [Memorial do Convento, p.....]

[o que General Z. riu com a «Cena», quando G. lha contou]

sexta-feira, 9 de março de 2012

MAPA DO DIA

16:45

Subiu as escadas, pela quarta vez.
No «L. B.», enquanto bebia café, leu 40 páginas de Gare do Oriente, de Vasco Luís Curado
Lê-se bem. É bom. Ele é que já leu muito, «já não serve». Demais, sempre e apenas,  nos momentos em que faltam poucos dias para a Liberdade.
Deu para encontrar, referida por Lígia, uma personagem, Nicolau, parecida com Ele.
Well

De manhã esteve no Exterior; à tarde, foge dele.
Está com dificuldades em levar a Sério o que é sério.
Espera. Espera que passe.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Sá de Miranda - por Eli

Que dizer dos Prog. Esc.? Que são isso mesmo, esc., e  que, por isso, «deixam de fora» os melhores entre os melhores que nem os «Programadores» poderão APAGAR;
Neste caso, claro, Francisco de Sá de Miranda, talvez quase tão genial como Camões;
- e G. relembra(-se de) uma extraordinária sequência de aulas de Heitor Gomes Teixeira, a provar o «RIGOR MATEMÁTICO» da poesia  de Sá de Miranda;

Só para «Almas Elevadas» - isto é, todas as ARTÍSTICAS - mesmo, claro.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Maria Gabriela Llansol

30.1.12
Alguém chamado Tiago, português que assina Shadul no You Tube, dá a ler Llansol trazendo o seu texto (neste caso o primeiro diário póstumo, Uma Data em Cada Mão. Livro de Horas I) para novas formas de experiência, envolvendo-o simplesmente em sons e cores. O texto vive, e emerge o seu fundo mais fundo:

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

LISTAS - MAPA DO DIA, I

Alberto Savinio, A cidade das Promessas, 1928, Paris, Galeria Daniel Malingue - reproduzida na página 70 da obra de Eco

cerca das 13:45

INTERVALO. B., a Felina do Bloco A, entra, ladina. Apodera-se do Marcador Azul e «vagueia» pelo Branco Quadrado.
Armado em Cuco, não «aos cucos», G. aproveita [A Qd.a estivera a «fazer listas» no anterior Quadrado.]

Fala-lhe do livro de Eco, resultante da exposição «Vertiges de la liste»,  em 2009, no Louvre. [Afinal, pretexto para G. começar a tarde, retomando o mesmo.]                                        
                                                      [Entrevista, de então, a ECO - AQUI] 

Um RECORTE do capítulo 5, «Listas de coisas»

O receio de não conseguir dizer tudo não tolhe apenas defronte a uma infinidade de nomes, também o faz defronte a uma infinidade de coisas. A história da literatura está cheia de colecções obssessivas de objectos. Certas vezes, estas colecções são fantásticas, como aquela dos achados que (relata Ariosto) Astolfo encontra na Lua, onde foi recuperar o cérebro de Orlando, outras vezes são inquietantes, como acontece com o elenco de substâncias malignas usadas pelas bruxas de Macbeth, de Shakespeare, por vezes são delirantes de perfumes, como a colecção de flores que Marino descreve no seu Adónis, às vezes são pobres e essenciais, como a recolha de detritos que permite a Robinson Crusoé sobreviver na sua ilha [...] certas vezes são vertiginosamente normais, como a imensa colecção de objectos insignificantes que povoam a gaveta da cozinha de Leopold Bloom no Ulisses, de Joyce, outras ainda são nostalgicamente ternas, mesmo na sua imobilidade digna de um museu, e quase funéreas, como  a colecção de instrumentos musicais da qual nos fala Mann, no Doutor Fausto. Por vezes as coisas são simplesmente odores, ou melhor, fedores, como na cidade descrita por Suskind

 [sublinhado que está a cor diferente foi acrescentado]

Umberto Eco. A vertigem das listas. 2009, Lisboa. Difel, p. 67

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Gabriel

11:55

No Corredor Central, Gabriel, o Verdadeiro, cruza-se com o Falso. Começou a primeira Etapa com Barra quase Máxima. Mas vai segurá-la. É um dos «Happy Few» (expressão de Eli).
[tem também a vantagem de já ter congeminado um «Plano B». Arte da Pastelaria]

G: - Descobri que me roubou a Identidade...

G: - Desde Setembro... E já o fiz Personagem por várias vezes - só que já está Apagado. É o Jogo da Casa
 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O inédito de sábado (Inesiana)

Poema ao sábado                 Inédito 


Soneto de formol de D. Pedro
para D. Inês de Castro


Não é por ainda te amar
que te coroo depois de morta:
tivesse-te amado um pouco mais
e talvez a casa tivesse sido velada,
e tu coroada rainha em vida
para que todos os homens
te admirassem enquanto eras bela,
e não agora que és só um cadáver.
Trouxe-te à superfície não porque te amo,
mas porque te amei na minha euforia;
desenterrei-te não para te dar vida,
mas para me conformar que estás morta,
e quero que todos os homens te chorem
para que não me fuja essa certeza.

David Teixeira
David Teixeira nasceu em 1990, em S. Pedro do Sul. Tem um livro pronto a editar, que se intitulará Pródromo. O poema que aqui se transcreve é o primeiro que publica.
Público, P2, 24-12-2011, p. 9

 







sábado, 3 de dezembro de 2011

Mário de Carvalho, a vastidão do Vocabulário «Chunga»», por RAP


Em 28 de Outubro, na Fnac do Chiado

(quem também «fala à bandido» são as Pers. de Rubem Fonseca, relembre-se)

Clarice - por Moser

[G. foi ali à Zamb., num «instantinho»;
 aldeia sem as «chusmas» de Verão;
Mar de Inverno com Sol ]



sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Ficções - Borges - Mega Ferreira - O livro da vida

«O único que levaria para a Ilha Deserta»

«Tudo é invenção, em Borges»

«A literatura pode tudo, em relação ao mundo»

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Inês e Pedro - Mito revisitado + «Pastiche»

[«Estupefactas(os)», As QD.as(os) quando se lhes fala (do conceito) de Pastiche - transversal a várias A.]

(o livro é de Nuno Dempster, de 2011; G. seguirá a estratégia actual: não havendo, que não há, Verba, há que visitá-lo numa das próximas idas a um dos  Templos - agora em uso «de Biblioteca»)

(dois poemas e a crítica - só para Almas Ambiciosas, naturalmente - estão AQUI - «Contra Mundum» - um território que G. amiúde visita)

Quanto ao conceito na Literatura, ver o artigo do prof. Carlos Ceia no EDTL- acessível, em princípio, não apenas às Almas Ambiciosas

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Diário Pessoal - Diário Íntimo

Ao ler, o Leitor sente-se guiado, pela Leitora, a outras Leituras e a Atmosferas

ainda não muito distantes, mas que se vão diluindo, inevitavelmente.

Naquelas horas, o Tempo «suspendia-se» e, depois, houve «Vidas Vencidas» e

«estátuas de sal» que  tiveram que ser tocadas. Demasiado, a dado passo. E, de

seguida, o afastamento, inevitável. 

E é um texto muito bem construido. E entretecido de aspectos teóricos que não

surgem no tecido primeiro ou principal. Leve ou fluído  e denso, então.

Há que seguir a Via reaberta.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Eco e Narciso

[para ler e reler, mesmo que se perceba logo ao ler, esta Entrada de «Ela», «a leitora»:            AQUI]              [ou ali ao lado, na lateral barra]

domingo, 25 de setembro de 2011

Miscelânea + Almada

«Miscelânea», é o que este território será, sobrepondo registos e perspetivas.

Passa a «navegar» por  outras paragens - é natural, há uma semana que dezenas de novos (e anteriores) Qd.s «tomaram de assalto a Loja do Mestre G.» (André, não)

É simples.
Tal como os «antecessores», define-se:
- como um «espaço público para uso privado» - diarístico, mas «híbrido ou escorregadio»
- como um «elegante envergonhado» que espera não «embaraçar» ninguém
- COMO um «apaga-apaga»
- afinal, o poema, com esse título, do «único Português Sem Mestre» de que há conhecimento jamais deixará de ser «o Esqueleto» da Casa





                                                  
                                                      
                                     

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

PALÁCIO 1112 - Entrada Triunfal

08:32
E, finalmente, chegou o dia da Entrada Triunfal, do desfile pela comprida Alameda - Ágora - Passerele 
-  Esplendorosa de Luz, de Espaço, de «finalmentes» («brilhozinho« nos olhos de
quem todos sabem quem é)

«Foi como um Rio» -  de largo e compacto caudal
-mas é tão grande a Massa, que levou minutos  a passar

G., num extremo, paralisou o olhar até à irrupção de Eli - malvada fotógrafa -  que «cegou o bicho»
E ponto.

domingo, 18 de setembro de 2011

Jogo de Espelhos - David Mourão-Ferreira

Veio agora de uma das cadeiras da cozinha, para  ocupar o seu lugar na «Estante Velha» [a que foi paga pela Avó Formiga, por volta de 68 ou 69, a que vai na «terceira casa»]. Faz parte das aquisições obrigatórias deste Verão Gasparino, para tentar completar a Estante Davidiana. [G. não perdeu totalmente a esperança de reencontrar o primeiro ex. de U. A. F., perdido há cerca de 20 anos]

III
As suas mais remotas imagens
de Lisboa: casas cor-de-rosa, afogueadas pelo Sol;
varandas confusas; nítidos degraus;
luzes de eléctricos, ao crepúsculo,
a fazerem dançar a névoa
sobre carris humedecidos.

David Mourão-Ferreira, Auto-retrato - primeiros traços
(transcrito de Jogo de espelhos, 2.ª ed, 2001)


- «A sedução generalizada», Crónica de Eduardo Prado Coelho, de 8 de Janeiro de 1994, do suplem.o «Mil Folhas»,  sobre este livro, preciosamente colocada, na sexta, 18 - 10 - 2019, na Casa indicada... 

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O chochman - recorte

«O chochman»

[…] O dia de trabalho começava na vasta sala em que as luzes nunca se apagavam apesar das grandes janelas de vidro que davam sobre milhares e milhares doutras janelas, pela cidade afora. Despi o casaco e sentei-me no meu lugar, ao teclado. O meu jovial companheiro de secretária, Antero, o mais sensato organizador de recortes do mundo, veio lá de trás, de junto de um grupo que se instalava, e desmoronou-se, pesado, na cadeira, que exalou um queixume soprado e deslizou um pouco sobre o rodado de titânio.

            Bem-disposto? Sabe o que a Marcela anda a dizer de si?

            Poupe-me, por favor protestei.

            Que não trouxe o seu chochman. E que, apesar disso, embolsou a schackmine.

            Tive um baque.

            Estou-me borrifando segredou-me ele. Deu-me uma rápida palmada no ombro e começou a trabalhar nos seus papéis. Não me dirigiu a palavra durante mais de uma hora, mas reparei que, disfarçadamente, me rasava com breves olhares de esguelha.

            Naqueles tempos ainda vigoravam algumas leis. Naquela casa cumpria-se, tradicionalmente, teimosamente, porque esse direito tinha sido universalmente desregulamentado, o intervalo para almoço. Eu estava à espera, com ansiedade, que o momento chegasse. Durante a pausa, fugiria de todos, enfiar-me-ia nos lavabos, ou passearia nos corredores, de modo a que não reparassem em mim. Nunca pensei que uma coisa assim pudesse acontecer-me: sentir uma schackmine ilegítima no bolso, e estar desmunido do meu chochman, quando ele não faltava a mais ninguém.

            Não sabia porquê. O facto é que não o tinha! A pérfida Marcela notou logo. Agora toda a gente já sabia. O recepcionista, antes. E tudo começara com ele a observar-me de modo diferente. Bem que podia desde logo ter-me avisado, em vez de graduar o sorriso e me estender a schackmine… […]

 Mário de Carvalho, O homem do turbante verde e outras histórias, Lisboa, Caminho, 2011, pp. 147-8


O Chochman - Epígrafe

O chochman

CHOCHMAN Faz parte do calão theatral. Quando um actor, na linguagem de bastidores, se refere a um desconhecido, a um sujeito caricato, a um ente imaginário, ou a alguém a quem se não póde ou não convém nomear, diz-se: o chochman. O fallecido actor-autor Baptista Machado, quando em scena não sabia o que havia de dizer, por se não lembrar do papel, fallava rapida  e atrapalhadamente, dizendo phrases inintelligíveis e mettendo sempre de permeio o chochman que para ele era o salvaterio, empregando-o como substantivo, adjectivo, verbo ou adverbio!

Sousa Bastos, Diccionario do Theatro Portuguez, Lisboa, 1908

Mário de Carvalho, O homem do turbante verde e outras histórias, Lisboa, Caminho, 2011, p. 145

sexta-feira, 1 de julho de 2011

«O chochman» - lançamento para adiar

Prematuro, este território.

Ficará letárgico, até Setembro.

Acordará, então, para ser o que tiver que ser.

Título de um dos 10 contos do último livro de Mário de Carvalho:
O homem do turbante verde.
Tem sido uma das leituras das últimas semanas.

R. leu o último, hoje de manhã, de pé, pelas 12:30, na ISS,.